Como fui parar na Alemanha e porque agora estou na Inglaterra?

“Mas Giovana, você não estava morando na Alemanha? E está na Inglaterra agora?”

Essa foi a pergunta que eu recebi de várias pessoas e a resposta é SIM (risos). Eu gosto de contar as coisas apenas quando elas dão certo. E deu!

A verdade é que a Alemanha foi uma grande susto para nós. Em fevereiro de 2017, o Rafael, meu então namorado na época, foi chamado para aplicar para uma vaga em Munique através do Linkedin e ele pensou “por que não? vou ver como estou no mercado”. Acontece que no meio do proposta, eu não estava dando a mínima, porque já era certo na minha cabeça que eu não ia para a Alemanha. Imagina só? Eu não tinha ligação alguma com aquele lugar, muito menos com a língua. Em paralelo, eu estava no meu primeiro emprego como fonoaudióloga e estava amando. Acho que nem o Rafa acreditava que esse processo daria certo, mas deu e tivemos que tomar a decisão mais rápida de nossas vidas: ir ou não ir?

Para mim era claro que eu não queria ir e a decisão estava tomada. Eu já me imaginava triste por não conseguir falar com os outros, por ter que deixar a fono de lado, tinha medo da saudade, enfim… e o Rafa dizia que só iria se eu fosse. Em praticamente um mês fui conversando com minha família, com amigos próximos e todos diziam “Gi, porque você não tenta? Qualquer coisa vocês voltam”. E aí a frase que me fez mudar de decisão (que eu nem lembro quem falou) foi “Gi, você tem 23 anos, daqui 10 anos você terá 33, ainda será super nova. Você prefere chegar lá e pensar que há 10 anos atrás você teve a oportunidade de ir para a Alemanha e não foi porque teve medo?” e foi assim que fui parar na Alemanha, com medo mesmo.

O Rafa recebeu o visto e para eu receber também, precisaria ser casada com ele. Alguns países aceitam a união estável, mas não é o caso da Alemanha. E pronto. Mais uma bomba para a minha cabeça: casar sem nem ter sido pedida em casamento. Mas enfim, o fizemos e nós nem nos consideramos casados, apesar de já termos uma vida de casado.
Em Junho de 2017 o Rafa foi e eu iria três meses depois, quando finalizasse meu contrato de trabalho e faculdade. Cheguei em Agosto de 2017, último dia de calor do ano, depois só foi ladeira a baixo.

Eu juro que tentei gostar da Alemanha e não sei explicar muito bem em palavras o porquê não nos identificamos. Talvez a língua, a cultura, as leis, não sei. Vale lembrar que eu morava em Munique, na Baviera, o estado mais conservador da Alemanha. Quero reforçar que isso é a NOSSA opinião. Tem gente que não troca aquele lugar por nada, mas tem gente que entende perfeitamente o que eu estou falando. Nós simplesmente não nos sentíamos em casa, não nos sentíamos acolhidos, não sei bem dizer.

Uma coisa que preciso enfatizar é que eu sempre gostei da Inglaterra, especificamente Londres. Também sempre quis falar inglês e eu sabia que só ia conseguir falar inglês mesmo morando num lugar que falasse a língua. Eu me identifico muito com a cultura inglesa, gosto da cidade ser bem agitada e tudo acontecer aqui.

E então, em Março de 2018, o Rafa teve uma conferência em Londres e eu iria junto e me lembro que estava no meio da aula de alemão e estava de saco cheio e só mandei uma mensagem para ele “vamos largar tudo e ir para a Inglaterra? Rs” e ele respondeu “Você está falando sério? Olha que eu adoraria morar lá”. E foi assim que começamos a mexer os pauzinhos para mudarmos para cá.

Chegando em Londres, eu conheci uma fono brasileira através do facebook que trabalhava aqui e marquei um café com ela. A ideia era perguntar sobre tudo: vida em Londres, vida de fono, etc. Até que ela conseguiu para mim uma observação no hospital que ela trabalha. Fui e amei. Vi que o processo de ser fono era muito mais fácil aqui do que na Alemanha. O Rafa também estava deslumbrado com a cidade. E então voltamos para Munique já decididos que queríamos nos mudar. Começamos a aplicar para os empregos e, resumindo, deu certo! E assim viemos parar na Inglaterra!

Tem gente que me pergunta se eu nunca mais vou voltar a morar no Brasil e eu costumo responder que “nunca” e “sempre” são palavras que determinam muito tempo e não penso assim. Eu amo o Brasil e conseguiria morar lá normalmente, mas hoje, nesse momento de vida, estamos muito realizados aqui ❤

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